Este post veio à minha cabeça quando tive a maravilhosa notícia da “volta” da minha querida Lezzie, no seu delicioso blog, Lez Grrrls, o antigo e bom Lezzie Grrrls.
Quem acompanha o Queer Girls e o Lesbosfera há mais tempo, sabe que andei por toda a internet, procurando a Lezzie, quando ela parou de blogar. Gritei por todos os cantos e nada da Lezzie.
Ela está de volta! Com sua sensibilidade e mineirice à todo o vapor!!
Vendo a Lezzie, olhando para o meu próprio rabo e de outr@s blogueir@s amig@s vejo que este movimento é coletivo. O ir e vir. Ora amamos os blogs, ora estamos de saco cheio, ora queremos fugir, ora deletar, ora precisamos blogar ou de outros ares. É o que eu poderia resumir como uma relação contraditória e porque não infernal, em um primeiro momento.
A questão é justamente esta: antes me sentia a pior das blogueiras por viver me debatendo com a condição de blogar. Me sentia responsável, culpada e oprimida pela situação que tinha criado para mim mesma.
Fui reparando e vendo que os bons blogueiros que eu conheço, todos têm, senão a mesma inquietação, alguma outra em relação ao blog. Pode ser a angustia da exposição, a necessidade de controle, a “curiosidade” pelos leitores, o branco criativo, a dialética entre o real e o virtual …… seja lá o que for, bom blogueiro não passa imune ao próprio blog ou ao ato de blogar.
Não acho que tenha relação com o escrever somente. Não acho que tenha a ver com o real / virtual. Acho que esta inquietação é inerente à dinâmica dos blogs. Da matéria-prima que o faz. Somos o humano da internet.
Esta minha concepção não engloba quem tem blogs ou sites como meio de vida. Quem faz disto um trabalho ou uma forma de remuneração. Ao profissionalizar a criação, colocamos distância. Perde-se o lúdico, o louco e o santo desta parafernália toda.
A beleza dos blogs é a diversidade, o ter para todos os gostos. Gostar ou não é apenas uma questão de cliques. Os blogs são interessantes porque os blogueiros colocam (de forma implícita ou explícita) as pequenas angústias cotidianas, ordinárias e banais. Somos todos iguais na nossa condição de seres alienados de si mesmo. Na busca permanente de uma satisfação parcial para o nosso desejo constante. No âfa neurótico de sermos queridos, notados, vistos, compreendidos, desejados e reconhecidos.
Psicanalítico demais o papo?
Pode até ser. Mas, só na teminologia porque no fundo, no fundo, não quer dizer nada mais do que o que fazemos: blogamos para nos mostrar, para expor, para sermos vistos, para achar nossos pares e iguais. Por acreditar veêmentemente que temos algo a dizer. E o pior, que os outros querem ouvir, ler, saber!!
Por isso, volto à questão incial do texto. As pausas que precisamos de nós mesmos e de nossos blogs. Por podermos fazer estas pausas, seja lá a razão (um amor, uma dor, um trabalho, uma mudança, a falta de um computador, o saco cheio) é que considero estes os melhores blogueiros. Os que se permitem liberdade, descobrir novos ares, vivenciar outras coisas, assumir o vácuo e que não há suprimento possível pelas relações de internet, lamber as próprias feridas, recomeçar, deprimir, seja lá o que for. Os que ficam atados à própria condição, grudados em seus computadores, sem desviar os olhos da tela, defendendo o blogar com unhas e dentes, considerando os “desistentes” como traídores, estão piores que o mais angustiado dos blogueiros. Estes estão cristalizados. Congelaram no tempo e no espaço. Já não conseguem mais fazer o vai e vem que traz novidades e oxigênio para os blogs. Ou seja, o bom blogar!












